Sobrevivendo à pandemia: medidas para a re-abertura de ginásios, centros de treinamento e academias

Você está preparado para o momento mais esperado tanto para proprietários de centros de treinamento, treinadores e praticantes de exercícios físicos, a reabertura das academias?

O foco da maioria das academias de rede no mundo todo tem sido o distanciamento social e a maior frequência em lavar as mãos. Medidas como separadores ou até mesmo tendas de plástico ou acrílicas têm sido criticadas como ineficientes por autoridades em saúde pública. Não é preciso um diploma em saúde pública ou infectologia para intuitivamente entender que a barreira física entre esteiras não apenas não resolve a necessidade de um espaço mínimo de um metro entre os membros da academia como tira deles a auto-regulação desse comportamento.

Aqui vai uma lista de recomendações para garantir um ambiente seguro. A segurança e higiene do espaço de treinamento são particularmente significativas hoje, ainda no meio de uma pandemia de COVID-19, que representa riscos tão grandes e silenciosos dado o longo período de incubação do virus. Acredito que quem for bem sucedido em implementar estas medidas agora terá um duplo retorno: no curto prazo, a segurança de todos os membros da comunidade que convive na academia quanto ao contágio do SARS-CoV-2. No longo prazo, a prevenção de outras viroses e infecções bacterianas. Muita gente, como eu, lembra de surtos de gripe ou diarréia em algum centro de treinamento do mesmo jeito que ocorrem surtos de piolho nas escolinhas e creches. São comunidades onde a transmissão do patógeno é facilitada pelo tipo de convivência que as pessoas têm.

Hábitos gerais de comportamento:

Infelizmente o tradicional abraço com beijinhos não pode acontecer por enquanto: mesmo que a gente não perceba, nossa saliva é aerosolizada quando falamos ou mesmo respiramos. O SARS-CoV-2, ao contrário do virus da gripe, tem uma resistência fora do corpo do hospedeiro de até 19 dias mesmo em superfícies secas.

  • Manter o distanciamento social mínimo de 1 (um) metro. Nada de abraços ou apertos de mão.
  • Não compartilhar objetos e equipamentos pessoais: a sua garrafa é só sua bem como sua faixa de punho, joelheira e toalha.
  • Guarde objetos pessoais num armário ou, se não existir, não faça bagunça: deixe a sua bolsa, sacola e “trecos de treino” juntos e arrumados no seu canto.

Comportamentos de treino:

Embora redes de academias em vários países estejam adotando máscaras durente os exercícios, não é uma prática recomendada pela Organização Mundial de Saúde: durante um período de maior frequência respiratória e respiração mais intensa, a máscara fica rapidamente úmida e impede a boa qualidade da respiração. Além disso, a intensa respiração com uso da máscara aumenta a proporção de CO2 inalada, o que aumenta ainda mais a taxa respiratória e pode alterar funções cognitivas. Não é preciso dizer que isso representa um risco em geral e na precisão técnica dos movimentos, aumentando a taxa de lesões. No entanto, se você e seus colegas resolverem fazer coisas que os coloquem em muita proximidade ou risco de troca de fluidos corporais (saliva e suor), coloque a máscara, sim. Exemplos:

  1. Passar a barra e fazer o spotting no supino. Olhe vídeos e perceba que, exceto em competição, quem passa a barra está olhando diretamente para o rosto de quem está executando o supino. Ou seja, possivelmente os dois estão trocando perdigotos.
  2. Qualquer outra ajuda que implique em contato corporal.

Hábitos no local de treino:

  1. Ao chegar, se tiver que assinar algo ou tocar em catraca, limpe as mãos antes e depois. Se for lavar, lave com sabão por aproximadamente 20 segundos. Se você for o proprietário ou gerente, recipientes com álcool-gel devem ser disponibilizados em todos os locais onde as pessoas necessitem se limpar antes e depois de alguma ação.
  2. No banheiro, desinfete o assento antes e depois de usar.
  3. Lave as mãos com sabão com frequência, se possível entre cada atividade de treino (ou use álcool-gel)

Se você for o proprietário da academia ou centro de treinamento:

Mantenha “estações de limpeza” espalhadas pelo espaço das salas de treino, tornando mais fácil e conveniente a adesão aos novos hábitos. As estações podem conter:

- sprays de álcool 70%

- sprays de cândida diluída ou detergente diluído

- toalhas de papel ou panos limpos para secar equipamentos

- recipiente para panos usados

- lixo

- escova de aço para barras olímpicas

Cuidados com os equipamentos de treino:

Barras, kettlebells, dumbbells e acessórios metálicos para pegada em máquinas:

Como mencionei, o SARS-CoV-2 tem uma sovrevida fora do hospedeiro bastante longa. Isso quer dizer que barras, alças de kettlebells e barras internas de dumbbells podem ser contaminadas pelo suor e saliva do praticante. A mistura de água, sais, proteína e gordura que deixamos nestes equipamentos é um meio de cultura para bactérias e fungos e um meio de preservação para virus. Recartilhos de barras olímpicas são especialmente propícios para a reprodução e proteção de microorganismos.

Assim, após utilizar qualquer destes equipamentos, desinfete com um spray de álcool (etanol líquido a 70%, sem diluir).

Aos proprietários:

- cândida não é um desinfetante adequado para aço. Com o tempo, vai danificar o equipamento. Emtre os produtos mais acessíveis, álcool é a melhor alternativa para desinfetar a barra.

- se seus alunos usam muito magnésio, algumas escovas de aço devem ser disponibilizadas para que o excesso seja retirado antes do spray de álcool.

- para boa manutenção das barras, caso juntem umidade, você pode aplicar um removedor de ferrugem no corpo da barra, escovar bem e secar com um pano limpo. Pode utilizar WD-40 na junção da manga da barra como lubrificante mas não deixe escorrer no corpo da barra ou manga.

Colchonetes, bolas e outros equipamentos com revestimento de plástico ou borracha:

Aqui há muitas opções de material líquido em spray:

- álcool diluido

- detergente diluído

- cândida diluída

- desinfetante geral diluído

Quem usar deve cobrir a superfície do equipamento com spray e secar com pano.

Colchonetes rasgados, expondo a espuma, devem ser descartados.

Bumper plates e anilhas emborrachadas (orientação aos proprietários):

Oriente seus alunos a limpá-las como com os objetos plásticos. No entanto, elas devem receber um tratamento com produto com silicone com alguma frequência, por você. Produtos para limpeza de automóveis podem ser utilizados.

Cordas:

- Cordas para pular devem ter o cabo desinfetado como os demais equipamentos de plástico e borracha

- Cordas para subir ou “rope training” só requerem usuários com mãos e pernas limpas.

Chão e superfícies de equipamentos estáticos:

Poeira é algo gerado diariamente e em grande quantidade. Poeira é composta de tudo que descasca ou solta fibras: roupas, pele, cabelo, objetos de borracha, madeira, cordas e outros. Poeira aglomerada forma um pequeno ecossistema onde vivem diversos microorganismos.

Não tem jeito: é preciso retirar poeira frequentemente. O chão deve ser varrido e aspirado. Se possível, desinfetado também. Todas as superfícies (gaiolas, balcões, estantes, janelas, etc) devem ser desinfetadas com um pano úmido.

Banheiro e cozinha devem ser desinfetados e semanalmente ser submetidos a limpeza profunda, com o chão lavado, cantos escovados e paredes limpas. Se você tem ventiladores de teto, as pás devem ser regularmente limpas. O teto deve ser limpo. Existem diversos equipamentos que facilitam essa limpeza como aspiradores industriais, máquinas de limpeza por vapor e limpadores de pás de ventilador.

Com estas medidas toda a comunidade do seu espaço de treinamento estará protegida. Se os novos hábitos forem mantidos, ainda que um dia abraços e beijos voltem às demonstrações de carinho entre amigos de treino, todo mundo ganha para sempre!

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